Um breve resumo do futuro

31 de julho de 2010 § 1 comentário

Nada há até que ele começa a trabalhar num jornal. Cronista, escrevia sobre as bandas de jazz e blues que se apresentavam nos mais imorais estabelecimentos da cidade. Deliciava-se ao encontrar velhos amigos e amigas nesses locais, a passeio ou a trabalho. Na manhã seguinte, os amigos corriam às bancas para comprar o jornal e ler a coluna para saber se não fora citado seu nome.

Por ser fluente em francês, conseguiu emprego na França. Falar francês era, aliás, uma de suas poucas alegrias. Gostava de falar sozinho só para ouvir a bela sonoridade desse idioma. Nunca chegou a casar, apesar de sua adoração pelas mulheres. Contudo, adotou duas crianças.

Sonhava com uma morte gloriosa, capaz de levar multidões ao seu enterro e de pôr seu nome na história. Entretanto, ela veio quieta, enquanto ele cuidava do jardim de sua casa. No enterro, nada de multidão: somente seu filho Leonel e a empregada. Sua filha Violeta não pôde comparecer.

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22 de julho de 2010 § Deixe um comentário

Dolce & Gabbana? D&G é o Dogão do Gordo da Restinga

Tinga, em entrevista à Zero Hora de 18/07/2010

19 de julho de 2010 Comentários desativados em

Soy loco por ti, T9

11 de julho de 2010 § 2 Comentários

Ontem eu esperava o ônibus numa rua que leva o nome dum poeta famoso brasileiro. Como não tenho relógio e havia esquecido o celular, não sabia que horas eram exatamente. Só sabia que era entre 23h e 24h. E fazia frio, desgraça. Um dia vou ter de aprender a me vestir de acordo com a temperatura.

O grande problema é que eu não fazia ideia se ainda passava ônibus naquele horário. Mas, mesmo assim, decidi esperar. Ficaria por ali uns minutos. Caso não aparecesse ônibus nenhum, iria a pé (mesmo sem saber direito o caminho). Assim, fiquei esperando solito por um T9 salvador.

Que não apareceu. Minutos e mais minutos aguardando e nenhum T9. Decidi que era o momento de ir a pé. Andei uns poucos passos, atravessei uma rua e, eba!, vi o maldito ônibus passar rapidamente ao meu lado. Parecia piada fraca de programa ruim de humor. Azar no mais alto grau.

Emputeci. Tive de controlar os nervos para não sair chutando as latas de lixo a fim de descontar minha raiva e resolvi ir mesmo a pé. Até porque aquele deveria ter sido o último T9 do dia (noite).

Cheguei só até a parada seguinte. Tinha um xirú perdido lá. Todo de preto, com uma barbicha na cara e umas suíças sem-fim. Pensei: esse é dos meus. Fui puxar papo, óbvio. E ele logo me pediu: “Tem fogo?” Não, não tenho. Mas decidi que vou comprar um isqueiro. Acho que levo jeito para fumante, pois sempre me pedem “fogo” e eu nunca tenho “fogo”. Vou andar sempre com um isqueiro e quem quiser meu “fogo” o terá.

Mais um bom tempo de espera, porém agora com companhia. Discutimos sobre vários assuntos, tais como a falta que um carro faz quando se está esperando um ônibus perto da meia-noite no frio em Porto Alegre e a gurizadinha de 12 anos bebendo, fumando e ouvindo sertanejo universitário no posto de gasolina ali perto. Aliás, éramos os dois universitários e nenhum ouve sertanejo universitário.

Aí apareceu o T9. O último daquele dia (noite). Imagino que eram umas 23h50. É curioso que não tenha ônibus de madrugada na nossa capital provinciana. Até entendo que o movimento durante as melhores horas do dia seja fraco, porém pelo menos no sábado poderiam pôr os coletivos a andar. E numa cidade de quase um milhão e meio de habitantes deve haver bêbados atrás de ônibus noite afora. Aliás, a passagem é R$2,45. Duvido muito que gastem tudo isso pagando o diesel.

Dentro do ônibus ainda menti para o meu companheiro de parada. Disse que estava indo para um bar com meus amigos. Estava era indo para meu apartamento, sentar no meu trono com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar. Menti não tanto porque gosto de mentir. Menti mais para manter minha honra. Quase 20 anos na cara e passando um sábado à noite em casa? Ah, vá!

6 de julho de 2010 § Deixe um comentário

“Sabe quem é Lucy Page Gaston?”, perguntou o Capitão, usando seu olhar inquisitivo, penetrante.

Não, Nick não sabia quem era Lucy Page Gaston.

“Ela começou a luta pela salvação das almas no movimento nacional pela abstinência na década de 1890. Levou seiscentos comerciantes de cigarros de Chicago à prisão por vender o produto a menores. Fundou a Liga contra o Cigarro. Em 1913, uniu-se a um médico e abriu uma clínica, para onde arrastavam os jornaleiros ambulantes, lavavam suas gargantas com nitrato de prata e recomendavam a eles que mascassem genciana quando sentissem vontade de fumar. Agora existem os malditos adesivos. Em 1919, ela escreveu à rainha Mary e ao presidente Harding pedindo que parassem de fumar. Quanta petulância! Anunciou que concorreria à presidência. Em 1924, foi atropelada por um bonde em Chicago ao sair de uma manifestação contra o fumo. Sobreviveu. Morreu oito anos depois. Sabe o que a matou, Nick?”

“Não, senhor.”

O Capitão sorriu. “Câncer na garganta. Sabe o que isso prova, Nick? Isso prova que Deus existe.”

Christopher Buckley, Obrigado por Fumar

5 de julho de 2010 § Deixe um comentário

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