Chorei na Av. Independência

14 de dezembro de 2010 § 1 comentário

Quando a única coisa que eu conseguia dizer era “Morra, Alecsandro”, um negro, um gordo bonachão, com uma velha e surrada camiseta do Inter, passou por mim e, escondendo a dor atrás de um sorriso tímido, me disse:

“Não foi dessa vez. Deixa para a próxima…”

Foi quando eu não pude mais segurar. Chorei no meio da Avenida Independência.

Moça e soldado

13 de dezembro de 2010 § 3 Comentários

Meus olhos espiam
a rua que passa.

Passam mulheres,
passam soldados.
Moça bonita foi feita para
namorar.
Soldado barbudo foi feito para
brigar.

Meus olhos espiam
as pernas que passam.
Nem todas são grossas…
Meus olhos espiam.
Passam soldados.
…mas todas são pernas.
Meus olhos espiam.
Tambores, clarins
e pernas que passam.
Meus olhos espiam
espiam espiam
soldados que marcham
moças bonitas
soldados barbudos
…para namorar,
para brigar.
Só eu não brigo.
Só eu não namoro.

Carlos Drummond de Andrade

(Fiz teatro, uma época. Um ano, numa cena, declamava esse poema. Declamávamos. Eu e uma amiga minha. Aquele que, imagino, seja o mais belo imeil que escrevi, era pra ela. Nunca enviei.)

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